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Crítico Paul Goldberger Analisa Ícones da Arquitetura do Rio Paul Goldberger, 62, é um dos principais críticos de arquitetura do mundo. Mas nem por isso o norte-americano se furta de usar termos como “fofa demais” (para se referir a uma cidade) ou “um disco voador maluco” (ao descrever um museu)

O estilo pouco solene de escrever e se expressar é uma das marcas do vencedor do Prêmio Pulitzer, que veio no início deste mês ao Brasil para participar da Flip.

Em Paraty (a “fofa demais”), Goldberger sacudiu a audiência com afirmativas como “Niemeyer foi o melhor e o pior que aconteceu para a arquitetura brasileira”.

O crítico havia visitado, dias antes, dois extremos da trajetória do arquiteto.

Em sua primeira visita ao Rio de Janeiro, havia estado na Casa das Canoas, residência que Niemeyer projetou para si mesmo no início dos anos 1950. Na vizinha Niterói, percorreu parte do chamado Caminho Niemeyer.

Neste conjunto de construções concebidas pelo arquiteto nas últimas décadas de sua longa biografia interessou-se sobretudo pelo Museu de Arte Contemporânea, o tal do “disco voador maluco”.

A pedido da Folha, em entrevista que começou em Paraty e continuou por e-mail, Goldberger compartilhou algumas de suas impressões (e fotos) do breve tour brasileiro. Niemeyer não foi o melhor nem o pior que ele viu.

“O Sítio Roberto Burle Marx foi o lugar mais estimulante e, certamente, o mais inusitado que conheci na viagem”, afirmou o crítico.

Ele qualifica o parque-museu-instituto onde viveu e trabalhou o paisagista, em Barra de Guaratiba, no Rio, como “uma das mais belas paisagens criadas pelo homem em todo o mundo”.

“Burle Marx demonstra lá o caráter único de sua arte, que era a um só tempo de grande amplitude, mas intimista”, complementa.

Goldberger, que foi crítico da revista “New Yorker” por 14 anos e atualmente escreve para a “Vanity Fair”, elogiou ainda a maneira como, no sítio, a paisagem se integra com a arquitetura do local.

“É um trabalho notável de integração de civilização e natureza. Por conta desse interesse, creio, Burle Marx teve tamanho sucesso na colaboração com arquitetos.”

Outro projeto com jardim do paisagista, a casa do Instituto Moreira Salles, no bairro da Gávea, desenhada por Olavo Redig de Campos, chamou a atenção do crítico. “É um exemplo maravilhoso do modernismo brasileiro.”

ALTOS E BAIXOS

Nem só de modernismo carioca foi composta a expedição de Goldberger. Como bom estrangeiro, ele foi levado à favela da Rocinha.

“Como muitos, achei a Rocinha extraordinária. Não quero aderir à onda bastante comum de romantizar as favelas, mas é impossível estar lá e não lembrar das belas cidades construídas nas colinas da Itália.”

O crítico chama atenção para o caráter único do padrão urbanístico do Rio. “Em muito poucos lugares do mundo os ricos moram nas áreas baixas e os pobres nas partes mais altas da cidade.”

Das alturas cariocas, o professor de design e arquitetura da New School, em Nova York, admirou sobretudo o bairro de Santa Teresa.

“É um bairro que transita bem entre a tênue linha do pitoresco e do fofo. Ou seja, é um lugar que foi pitoresco e não avançou em direção à fofura excessiva.”

De modo geral, no entanto, Goldberger não ficou muito entusiasmado pela arquitetura do Rio. “É claro que é uma cidade extraordinária, sobretudo pela presença da natureza, mas não há muita arquitetura de qualidade.”

O autor do livro “A Relevância da Arquitetura” (ed.BEI), que atualmente escreve uma grande biografia do arquiteto Frank Gehry, diz ter mais admiração por São Paulo, onde esteve há dois anos.

“São Paulo tem uma energia especial. Definitivamente não é uma cidade bonita e a maior parte da melhor arquitetura da cidade é constituída de casas particulares. Ainda assim, há uma energia criativa e urbana incrível, que me fez lembrar de Tóquio”.



FONTE: Boainformacao.com.br
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