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Há 30 Anos o Desconstrutivismo Balançava os Alicerces da Arquitetura Uma revolução aconteceu há 30 anos: os desconstrutivistas libertavam-se do ângulo reto e da tradição arquitetônica. Hoje eles constroem os prédios mais caros e glamourosos – até mesmo em países ditatoriais.


 

Eles são rebeldes e decompõem de forma consequente a regularidade. A simetria, o cubo, a linha previsível – tudo isso é um horror para a dupla de arquitetos austríacos Wolfgang Prix e Helmut Swiczinsky.

Eles são mais conhecidos como Coop Himmelb(l)au. Em alemão, Himmel quer dizer céu, blausignifica azul e Bau, construção: a dupla de emblemáticos desconstrutivistas pretendia "reconstruir o céu". Para eles, a arquitetura deveria ser tão mutável quanto as nuvens.

 

"Reconstruindo o céu"

Hoje Wolfgang Prix se ocupa de um gigantesco canteiro de obras em Frankfurt, o futuro lugar de trabalho de 2.500 pessoas oriundas de quase 30 nações. Ali está sendo construído um edifício de imensa força simbólica e magnetismo: a nova sede do Banco Central Europeu (BCE). Trata-se de um dos maiores canteiros de obras da Alemanha e, com certeza, também um dos mais importantes.

Em 2004, a Coop Himmelb(l)au ganhou o concurso para o projeto do BCE. A construção teve início há dois anos. No final, a torre sul terá 43 andares, e a torre norte, 45. Um edifício com uma altura gigantesca de 220 metros [foto principal, acima].

Enquanto o euro se afunda cada vez mais na crise, as torres da Coop Himmelb(l)au se erguem em direção ao céu. E, com elas, surge a pergunta: o que restou do fervor desconstrutivista? O que aconteceu com os heróis dessa forma nova e diferente de construir?

 

 

 

Os primórdios

Em 1988, uma exposição de arquitetura organizada pelo arquiteto norte-americano Philip Johnson marcou o conceito do desconstrutivismo. Surgiram edifícios de estática altamente complexa, que davam a impressão de poder desabar a qualquer momento. Portas, escadas e janelas passaram não apenas a responder a uma função, mas a ter seu próprio valor estético.

O desconstrutivismo quebra a forma. O estilo é marcado por linhas expressivas e irregulares. Arquitetonicamente, tudo é virado de cabeça para baixo, enquanto desaparecem as fronteiras entre o espaço interno e o externo, entre o superior e o inferior. Uma imensa liberdade atrai os arquitetos, que vivenciam uma verdadeira revolução na forma de construir.

Na arquitetura desconstrutivista, uma mulher exerce um papel de vanguarda: Zaha Hadid. Em 2004, a britânica de origem iraquiana foi homenageada com a principal distinção do mundo da arquitetura, o Prêmio Pritzker. As construções projetadas por Hadid parecem escapar às leis da gravidade.

Hoje os espaços "fluídos" criados pela arquiteta levam críticos e clientes ao êxtase em todo o mundo. Mas durante muito tempo seus projetos puderam ser admirados somente no papel. Ninguém se atrevia a construir suas ideias malucas. Atualmente, ela é considerada a arquiteta predileta de clientes ricos, principalmente nos Emirados Árabes Unidos. Trata-se de uma arquitetura que vai além da vanguarda, mas muitas vezes também além das decisões democráticas.

 

O "efeito Bilbao"

Em 1997 foi inaugurado o Museu Guggenheim de Bilbao, projetado pelo arquiteto norte-americano Frank Gehry. O museu se tornou um dos prédios mais visitados do mundo. Centenas de milhares de "peregrinos" visitam todos os anos a cidade basca. Os críticos cunharam o conceito do "efeito Bilbao". O museu mudou toda uma região e virou um marco arquitetônico.

Assim, os rebeldes desconstrucionistas chegaram finalmente ao mainstream. Seus prédios são agora caracterizados como architainment – arquitetura e entretenimento, uma conexão entre o capitalismo, a vanglória e a arquitetura.

Algo não mudou até hoje: os selvagens edifícios dos desconstrutivistas afastaram o tédio da arquitetura. Eles foram os representantes de um espírito pioneiro, presenteando ao mundo alguns edifícios verdadeiramente impressionantes. Mas, de sua energia rebelde de outrora, pouco restou.

 

 

FONTE: http://www.dw.de/dw/article/0,,16100764,00.html

 

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