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Prevenir para Não Remediar

Prevenir para não remediar

 

Os equipamentos de proteção individual são essenciais para os operários da construção civil e diminuem os riscos de acidentes. Empregador deve exigir e fiscalizar a utilização

Os trabalhadores da construção civil estão sempre propensos aos riscos de acidentes em uma obra, por isso é extremamente importante a conscientização e o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI). Em caso de acidentes, a falta de utilização do EPI pode ocasionar diversos ferimentos que, em muitos casos, são de natureza grave e podem causar a morte.

É essencial que o empregador se atente aos pequenos detalhes e preze pela proteção de toda a equipe no ambiente de trabalho. A prática de segurança deve ser realizada em cada etapa da obra, evitando, assim, danos como impactos causados por objetos, quedas e problemas de ergonomia, pois o trabalhador também está sujeito a lesões devido às dimensões e ao peso das máquinas e ferramentas utilizadas nos canteiros.

Existem alguns equipamentos básicos que são essenciais para evitar acidentes de trabalho na construção civil. Dentre os principais, destacam-se capacete; óculos protetor auricular; máscara contra pó da obra – para proteção das vias respiratórias; luvas de couro ou de plástico – que protegem contra material corrosivo, tóxico e objetos cortantes; botas ou botinas que evitam o contato com produtos químicos e materiais perfurantes; e cintos de segurança para proteger contra eventuais quedas, além do uso de roupas como calças e camisas compridas.

Conta própria 
O engenheiro da Soltec, Adalberto Júnior, afirma que, apesar da fiscalização promovida pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/DF), cada empresa possui uma metodologia própria de vistoria. “Nós temos técnicos de segurança em todas as obras, que têm por função conscientizar os funcionários da importância do cumprimento das medidas de segurança, bem como de inspecionar as obras quanto ao fornecimento de EPIs e adequação dos equipamentos de proteção coletiva (EPCs)”. Segundo Adalberto, diariamente, cada técnico cumpre essas funções para garantir a proteção dos empregados e, mensalmente, eles se reúnem em uma determinada obra para fazer uma inspeção conjunta e garantir, assim, maior eficiência na detecção de eventuais problemas.

Agnaldo Costa, diretor de obras da Brookfield Incorporações, explica como é formada a equipe de segurança do trabalho na empresa. “A equipe se divide em duas partes. A primeira delas é formada por técnicos de segurança do trabalho que auxiliam na rotina em todos os canteiros de obras e participam ativamente da segurança em tempo integral. A outra é a corporativa, formada por gerentes, engenheiros, coordenadores, médicos e técnicos em enfermagem, que atende diversas obras,” revela.

O diretor afirma, ainda, que a companhia realiza treinamentos conforme determina a legislação, porém, de acordo com a necessidade de cada obra. Segundo ele, existem treinamentos diários nos canteiros e também  em salas de aulas, cujo objetivo é ensinar e reforçar as melhores práticas de segurança, por meio de cartilhas e vídeos ilustrativos. A equipe corporativa recebe treinamento periódico realizado por empresas externas por meio de palestras, participação em comitês regionais do Ministério do Trabalho, dentre outros.

Conscientização
O Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, também conhecido como  Programa Trabalho Seguro, é uma iniciativa do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), que em parceria com diversas instituições públicas e privadas, visam à formulação e execução de projetos e ações relacionados à prevenção de acidentes, bem como o fortalecimento da Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho.

O principal objetivo do programa é contribuir para a diminuição do número de acidentes de trabalho registrados em todo o Brasil. Promover atos públicos em canteiros de obras de todo o país é  uma das iniciativas do programa Trabalho Seguro. A intenção é atrair toda a sociedade para adotar medidas de segurança e saúde na construção civil. De tal modo, o programa desenvolveu campanhas na mídia e firmou parcerias com o Serviço Social da Indústria – Sesi, para lançar uma revista em quadrinhos destinada ao público infantil que aborda a prevenção de acidentes de trabalho. 

Baixa nos números está longe do ideal 
Os dados estatísticos dos  últimos três anos, divulgados pelo Ministério da Previdência Social, indicam uma pequena redução no número de acidentes de trabalho. No Brasil, esses números registraram uma queda de 755.980 casos em 2008 para 733.365 em 2009, até chegar ao patamar atual, de 701.496 acidentes. A legislação trabalhista prevê aplicação de multa, que varia de acordo com a natureza da irregularidade praticada e do porte da empresa. O valor pode chegar a R$ 6,5 mil por cada infração verificada. De acordo com informações do Tribunal Superior do Trabalho (TST), no âmbito do  Distrito Federal foram registrados 8.341 acidentes de trabalho (1,19% do total nacional), sendo 31 fatais (1,14% do total nacional de acidentes fatais).

Segundo o presidente da Comissão de Política e Relações Trabalhistas do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF), Izidio Santos, a conscientização é um fator de extrema importância que deve ser investido pelas empresas para garantir maior segurança aos funcionários. “A mudança de cultura é gradual e demanda tempo, porém, já se observam mudanças importantes em relação aos anos anteriores. Quando os trabalhadores e empregadores, em conjunto, tiverem amplo conhecimento das normas e medidas de segurança, teremos um cenário mais favorável - o que vem ocorrendo ano a ano,” ressalta.

Izidio Santos afirma ainda, que os acidentes de trabalho acontecem pela falta de treinamento ou conhecimento das normas. “Há muita informalidade na construção civil. Aliado a isso, existe certa resistência por parte dos trabalhadores”, conclui.

Para o superintendente Regional do Trabalho e Emprego do Distrito Federal (SRTE/DF), Marcos Góis, entre as irregularidades mais comuns encontradas nos canteiros de obras pode-se destacar a ausência de proteção na periferia da edificação; abertura nos pisos desprotegidas; escadas, rampas e passarelas sem corrimão ou instáveis; falta de utilização do cinto de segurança em atividades acima de 2 m de altura, dentre outros. “Os trabalhadores precisam se conscientizar do uso do equipamento de proteção individual, pois muitos se recusam. As empresas precisam dar mais atenção à proteção coletiva (telas de proteção e montagem de andaimes)”, conclui.

 

FONTE: Jornal da Comunidade

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