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Espaço entre Paredes Preserva Clima Interno

Industrialização do setor da construção civil leva à criação de novos produtos e processos.

O setor da construção civil está prestes a ganhar uma solução que promete preservar a temperatura ambiente de casas, apartamentos ou quartos de hotel, além de otimizar o processo de industrialização dos canteiros de obra. A Domus Populi, empresa do Grupo Gerdau, acaba de patentear um sistema chamado Brasitherm, que permite o isolamento térmico das paredes, ao evitar que o clima externo interfira nas acomodações do imóvel.

De acordo com o diretor de relações institucionais da companhia, Michel Zeenni, um dos engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia, o que torna o produto diferente é o vácuo entre as placas que formam uma parede.

O sistema consiste na produção de dois painéis de concreto (uma parede inteira de um quarto, por exemplo) que, quando "colados um no outro", deixam uma ventilação entre eles que evita a umidade na estrutura e cria um "bloqueio invisível", capaz de evitar a interferência do clima externo na temperatura dos cômodos da casa.

A companhia já construiu cerca de 300 casas com essa tecnologia e concluiu a obra de nove prédios que, juntos, somam 176 apartamentos populares no Rio de Janeiro. A obra completa abrange 1,4 mil unidades. Em São Paulo, a empresa vai iniciar a construção de um empreendimento com 641 unidades na cidade de Rio Claro.

Nesta semana, a Domus Populi e a rede de hotéis Atlantica também anunciam a utilização da tecnologia no ramo de hotelaria. O protótipo dos novos quartos já está em fase de testes na sede da construtora em Várzea Paulista. Serão construídas unidades nas cidades de Sorocaba, Valinhos, Campinas e São Bernardo do Campo.

Mão de obra. Para o presidente da Domus Populi, Carlos Gerdau Johannpeter, o maior atrativo da tecnologia é a industrialização da construção civil e o fato de os painéis serem fabricados para um projeto específico. Assim, cada parede já terá instalados os sistemas elétricos e hidráulicos e até detalhes decorativos como vincos, por exemplo.

"Os painéis chegarão inteiros ao canteiro da obra. Tudo será feito de forma mecânica.Poderemos contratar trabalhadores da indústria e não depender apenas de pedreiros e auxiliares, profissionais que estão em falta no mercado", conta.

Outra vantagem, segundo Johannpeter, é a redução de custos e do tempo da obra. "Estamos migrando de um processo artesanal, que é empilhar tijolos, para uma escala de produção industrial. Também vamos evitar desperdício de material, já que o cimento que será colocado na máquina, por exemplo será o realmente necessário para a confecção daquela parede", comenta. O presidente diz que, atualmente, o desperdício de material nas obras fica entre 7% e 30%. O tempo da obra também deve influenciar na redução dos custos administrativos.

"Se antes levávamos até cinco anos para concluir a obra de um megaempreendimento, com os painéis o tempo cairá para um ano. Isso vai se refletir na redução de gastos com contabilidade, administração e toda a estrutura para a construção", diz.

O setor já vem utilizando a solução de placas inteiras para otimizar as obras, segundo o Sindicato da Habitação (Secovi) e o Sindicato da Construção Civil (Sinduscon). Zeenni ressalta,no entanto, que a maioria produz paredes maciças ou com outros isolamentos na parte interna,como o isopor, por exemplo.

"Toda tecnologia que melhore e otimize a industrialização da construção civil é bem-vinda. Desde que siga os padrões de segurança previstos em lei", afirma o diretor de insumos e tecnologia do Secovi, Marcos Velletri.

Segundo Zeenni, o sistema recebeu o aval do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da Caixa Econômica Federal e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).

Desperdício

O percentual máximo de desperdício de material registrado nas obras que utilizam a forma artesanal de construção civil, ou seja, com o empilhamento de tijolos e sem soluções industriais, é de 30%.

Fonte: O Estado de São Paulo

 

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